domingo, 6 de dezembro de 2015

O DESPERTAR DO AMOR

Robyn Schone


O DESPERTAR DO AMOR






Ela:

Quente.
Úmida.
Sua pele ansiava por liberar-se.
Matthew dormia a seu lado no seu apartamento em Chicago, como sempre faz nos últimos dezessete anos de frieza emocional, e a obrigava a matar o próprio desejo, desejo que ele mesmo inspirava.
 Que estava acostumado a lhe inspirar.
 Por mais de uma vez, separou-se dela, dizendo: “Vá dormir, carinho; amanhã nos espera um dia muito longo”, ou simplesmente: 
“Vamos dormir, estou arrebentado”.
Seus quadris se arqueavam e seus dedos se deslizavam, cheios de desejo. 
Por seu marido.
 Por alguém.
 Em algum lugar. “Meu Deus, que desperdício”. 
Não era culpa dele; não, Matthew não tinha nenhuma culpa. 
Durante todos aqueles anos, sempre tinha desejado o que não podia ter; o que nunca poderia acontecer. 
Queria mais que o prazer solitário, que o prazer efêmero e furtivo; queria… queria…
Sua respiração se acelerou e chegou ao clímax.
 Era naqueles momentos que percebia o quanto era sozinha. 
Rendeu-se ante o esquecimento que lhe proporcionava o prazer solitário.




Ele:

Fria.
Seca.
Ela evitava tocá-lo.
Morrigan virou a cabeça, mordendo os lábios para suportar o que vinha acontecendo desde o início de seu casamento. 
Já tinha um ano. Apertou os dentes. 
Apesar de ser conhecido como um dos homens mais licenciosos de toda a Inglaterra, não podia ficar procurando outra com a consciência tranqüila, e se via forçado a saciar sua paixão com uma mulher que ficaria muito feliz se contrariando sua natureza ele fizesse isso.
Arqueou as costas e penetrou sua esposa. A tensão se acumulou na base da coluna. 
“Deus, que desperdício”.
 Mas não era culpa dela; não, Morrigan não tinha a culpa. 
Ele não tinha sabido, não tinha sido capaz de ver além de seus próprios desejos. De suas próprias necessidades
. Mas ele queria, e desejava mais.
 Muito mais que aquilo, mais do que exigia seu dever, mais…
Sua respiração se acelerou e chegou ao clímax. 
Nunca antes tinha sabido o que era a solidão, até aquele momento, mas viu que sempre estaria sozinho em situações como aquela. 
Rendeu-se ante o esquecimento que lhe proporcionava o prazer solitário.

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